"Dizes que numa relação temos que ser nós e nós próprios, nós em primeiro, sem grandes entregas, para que resulte. E acreditas nisso até ao dia. Até ao dia em que alguém entra pela tua vida e se vai deixando ficar. E vai espalhando sentimentos no coração que, sendo teu, se torna cada vez mais vosso. E vai permanecendo nas memórias que constrói, nos beijos que te dá, na forma como te toca no teu corpo. E quando dás por isso, já não és mais tu. És a pessoa que ele ama. És a pessoa que construíram juntos, és uma pessoa que é também uma mistura dele, como as roupas de ambos misturadas no chão do quarto, como os corpos que não se distinguem quando a tua já vai alta, como os beijos sem princípio nem fim que se trocam, como as palavras que já não se sabe quem disse a quem, quem disse o quê ou quem disse primeiro. E a tua rotina já não é só tua. E os dias já não são só teus. E o teu coração já não está a salvo, bem guardado, junto do peito. Está bem melhor. Está lá fora, aninhado no coração dele, num amor que é dos dois. E eu só te desejo que um dia sintas o coração a fugir-te do peito e o deixes ir. Porque é dos maiores riscos que vêm as melhores concretizações"
Dança
Hoje sinto falta da dança mais do que nunca.. Sinto falta porque pela primeira vez em meses voltei a dançar.. mesmo que por pouco tempo, foi o mais próximo que estive deste mundo nos últimos tempos. Estranho não é? Porque é que agora sinto mas falta da dança do que antes? Porquê agora que finalmente tive a oportunidade de dançar? Não deveria agora estar mais saciada esta minha vontade imensa, insuportavel? Não.. Como podria não sentir hoje mais falta da dança se pude sentir novamente o que sempre senti quando dançei? Aquele sentimento único de entrega, de liberdade.. aquele sentimento de que aquele é o meu lugar, a minha arte, o meu MUNDO. o único a que alguma vez pertencerei completamente.. O meu conforto quando apenas quero desaparecer.. o que me faz sentir viva! Pude sentir a múscia a invadr o meu corpo e a apoderar-se de cada célula do meu ser, que reage instantaneamente executando os mesmos movimentos a que estava habituado, com uma faclidade tão grande como se nunca tivesse...
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